Energia Solar
Energia solar em telhado ou usina de solo: qual compensa mais?
Comparativo técnico e financeiro entre sistemas fotovoltaicos em telhado e usinas de solo. Área necessária, custo por MWp, manutenção e quando cada modelo faz mais sentido.
Quando uma empresa decide investir em geração solar, uma das primeiras perguntas é onde instalar: no telhado das edificações existentes ou em uma usina montada no solo? A resposta depende do porte da operação, do espaço disponível e do objetivo do investimento.
Área necessária
Essa é uma das diferenças mais práticas entre os dois modelos.
Em telhado, os painéis são instalados sobre a cobertura existente, aproveitando uma área que já está construída e seria ociosa. A eficiência de ocupação é alta porque os painéis acompanham a inclinação do telhado, sem necessidade de espaçamento entre fileiras para evitar sombreamento.
No solo, a área necessária é maior. Para um sistema de 75 kWp, por exemplo, são necessários cerca de 800 m² em telhado contra aproximadamente 1.200 m² em solo. Essa diferença vem do espaçamento entre as fileiras de painéis, necessário para evitar que uma fileira faça sombra na outra.
Para usinas maiores, acima de 1 MWp, a área de solo necessária cresce proporcionalmente. Uma usina de 1 MWp ocupa entre 12.000 e 15.000 m² de terreno, dependendo da topografia e da latitude.
Custo de instalação
O investimento por MWp instalado é diferente entre os dois modelos.
Sistemas em telhado custam menos porque aproveitam a estrutura existente. O telhado já está construído, já tem fundação, e os suportes de fixação são relativamente simples. O custo médio de um sistema de 1 MWp em telhado gira em torno de R$ 2,7 milhões (dados de janeiro de 2024).
Usinas de solo custam de 18% a 23% mais que sistemas em telhado de mesma potência. A diferença vem das estruturas de fixação, que precisam de fundações próprias (estacas metálicas ou blocos de concreto), e da terraplanagem e preparação do terreno.
No entanto, o custo dos componentes fotovoltaicos caiu cerca de 30% no início de 2024 em comparação com o ano anterior, tornando ambos os modelos mais acessíveis.
Manutenção e acesso
Sistemas em telhado têm uma desvantagem prática: o acesso para limpeza e manutenção é mais difícil. Dependendo da altura e inclinação do telhado, a limpeza dos painéis requer equipamentos de segurança e, em alguns casos, equipe especializada.
Usinas de solo facilitam a manutenção. Os painéis estão em altura acessível, a limpeza pode ser feita com equipamentos simples, e a inspeção visual é direta. Para operações que ficam em regiões com muita poeira ou resíduos (como proximidade de estradas de terra ou áreas agrícolas), essa facilidade de limpeza pode impactar a produção ao longo dos anos.
Além disso, painéis no solo geralmente têm melhor ventilação na parte traseira, o que ajuda na dissipação de calor e mantém a eficiência dos módulos mais alta em dias quentes.
Quando o telhado faz mais sentido
O telhado é a escolha natural quando:
- A empresa já tem cobertura disponível com área suficiente (galpões, armazéns, centros de distribuição)
- O objetivo é reduzir a conta de energia consumindo direto da geração própria
- Não há terreno disponível ou o custo do terreno é alto
- A operação está em área urbana onde espaço é limitado
Galpões de avicultura, armazéns de grãos, supermercados e indústrias com telhados grandes são os candidatos clássicos. A área de cobertura já existe, e a geração solar se encaixa sem competir com o uso do solo.
Quando a usina de solo faz mais sentido
A usina de solo é a escolha quando:
- A potência necessária é grande (acima de 500 kWp)
- Existe terreno disponível com boa irradiação
- O projeto é para geração compartilhada ou venda de energia
- O telhado existente não suporta o peso ou está em condições inadequadas
- A empresa quer escalar a geração sem depender da estrutura construída
Cooperativas de energia, permissionárias e empresas com múltiplas unidades consumidoras frequentemente optam por usinas de solo porque podem centralizar a geração em um local otimizado e distribuir os créditos entre as unidades.
Combinando os dois
Para operações maiores, a estratégia pode combinar os dois modelos. O telhado absorve a geração de autoconsumo imediato (o que é mais eficiente, pois evita perdas de transmissão e taxas de uso da rede), enquanto uma usina de solo complementa para atingir a potência total desejada.
Essa abordagem aproveita o melhor de cada modelo: o custo menor do telhado e a escalabilidade do solo.
O que considerar antes de decidir
Independente do modelo, alguns fatores determinam a viabilidade:
Irradiação solar local: regiões com mais horas de sol por ano geram mais energia por painel instalado. O Brasil tem irradiação média entre 4,5 e 6,5 kWh/m²/dia, com as melhores condições no Nordeste e Centro-Oeste.
Tarifa de energia: quanto maior a tarifa que a empresa paga hoje, mais rápido o investimento se paga. Tarifas acima de R$ 0,80/kWh tornam quase qualquer projeto solar viável.
Consumo atual: o dimensionamento do sistema deve considerar o consumo real da operação, incluindo sazonalidade (granjas e secadores têm consumo concentrado em determinados meses).
Regulação: a Lei 14.300/2022 (Marco Legal da Geração Distribuída) definiu novas regras para compensação de energia. Projetos aprovados até janeiro de 2023 mantêm as condições anteriores até 2045. Novos projetos pagam parcialmente a tarifa de uso da rede (TUSD Fio B), o que impacta o cálculo de retorno.
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